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O dicionário Priberam da Língua Portuguesa define fenômeno da seguinte forma: "Tudo o que está sujeito à ação dos nossos sentidos ou nos impressiona de um modo qualquer (física ou moralmente).

Paul Gibier, em Espiritismo ou Faquirismo Ocidental, define de modo parecido: "Pela palavra fenômeno designamos todo fato que se apresenta à observação, sem ligarmos a este fato nenhum caráter, a não ser o natural. Conservamos assim à palavra um sentido conforme a sua etimologia (o que é aparente)" . Sendo assim, podemos ver que fenômeno nada mais é do que a ocorrência de um evento natural.Mas por que colocar essa definição, nessa seção ? Devido ao fato de que os fenômenos que vamos tratar aqui, são muitas vezes considerados como paranormais ou mesmo sobrenaturais e, por alguns até mesmo milagrosos. Convém saber o significado de cada uma dessas palavras para melhor entender o que segue.Por "paranormal" entende-se aquilo que está ao lado do normal, ou seja, não se trata de algo anormal, mas, sim, de uma certa classe de fenômenos considerados "estranhos" mesmo embora sejam normais. Convém perguntar, por que devemos considerar um determinado fenômeno como estranho ? O próprio fato de considerá-lo como estranho já demonstra que dele não sabemos muita coisa, ou mesmo nada, às vezes. Outro dia assistindo a um programa de televisão, vi um rapaz comentando, acerca de alguns fenômenos de aparições de falecidos em fotos, se referir à Parapsicologia como "uma ciência que explica ou trata de fenômenos que não possuem explicação" (sic). Ora, como não possuem explicação ? qualquer coisa que existe possui, sim, explicação, o que acontece é que nós muitas vezes não sabemos do que se trata, ou o fenômeno está tão fora das nossas concepções ou visões de mundo que temos a pretensão e a arrogância de se referir a tais fenômenos como se não tivessem explicação científica. Por "sobrenatural" dizemos daquilo que está acima das leis naturais. Esse conceito é paradoxal, haja vista que como podemos considerar algo como acima das leis da natureza se estamos imersos na natureza nós mesmos ? Seria preciso que de alguma forma(impossível em si mesma) saíssemos do domínio da Natureza, conhecêssemos tudo sobre Ela e aí, apenas assim, poderíamos dizer: "isso é sobrenatural ou isso é natural". Por milagre temos exatamente a mesma coisa, "algo extraordionário, que derroga as leis da Natureza". O que acontece é que, hoje, vemos as pessoas falarem de fenômenos "paranormais" e "sobrenaturais" como sendo sinônimos, muitas vezes por ignorância, outras vezes deliberadamente para causar confusão nas pessoas menos esclarecidas. Portanto, todo fenômeno tem, sim, uma explicação, escape ela ou não das nossas concepções existenciais nutridas pela educação preconceituosa sobre o que é ou não normal. Sejamos curiosos, raciocinemos por nossa conta, procuremos saber a origem das coisas, não aceitemos opinões preconcebidas de nehuma pseudoautoridade, seja ela religiosa, filosófica ou científica, pois a História nos mostra muitas vezes a queda dessas supostas autoridades diante da Natureza. Quebremos paradigmas pois a Mente(Alma) Humana é ainda muito pouco compreendida, não obstante as inúmeras teorias especulativas da Psicologia ou da Filosofia sobre o assunto, muitas delas tomadas como verdades incontestes por algumas pessoas.

Entre os fenômenos exaustivamente estudados ao longo da História por vários pesquisadores, os que serão apresentados nessa seção, como um estímulo à pesquisa são:

  Fenômenos de Efeitos Físicos     Experiências Fora do Corpo     Lembranças de Outras Existências     Clarividência e Clariaudiência     Psicometria     Precognicao    
        Transmissão de Pensamento e Emoções(Telepatia)     Magnetismo Animal     Psicografia     Psicofonia     Cirurgias Espirituais     Transporte de Objetos    

                                                         Escrita e Voz Direta      Materializações de Espíritos      Transcomunicação Instrumental

                                                                                                                                                                                                        Alexandre Filho


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Imagine-se em casa, jantando tranquilamente com sua família, quando de repente, vocês percebem um copo "flutuando", ou um prato se "deslocando sozinho" em cima da mesa, ou mesmo um baleiro rodopiando em cima de uma superfície qualquer, o que você faz ? Acredito que sair correndo deve ser o primeiro impulso, não é ?! Normal, a novelista da Rede Globo, em entrevista a Ana Maria Braga, Glória Perez, fez o mesmo quando passou pela situação.


Após o ocorrido, você fica pensando no que poderia ser aquilo, se for um adepto fervoroso de alguma concepção religiosa, é provável que pense se tratar do demônio "infernizando" a sua casa. Se não for adepto fervoroso de alguma concepção religiosa, certamente não pensará nessa hipótese, mas ficará com uma "puga atrás da orelha". E como o fenômeno não se repetiu por um tempo, acabará achando que é devido a alguma causa física qualquer, o que é bem racional, devemos convir.Ou pode também ficar impressionado por uns dias e logo esquecer o fato.Mas...e se o fato continuar após alguns dias de maneira mais frequente e, o mais interessante, demonstrar inteligência de tal forma que é possível combinar um código alfabético de comunicação através de pancadas ? Aí a coisa muda de figura, deixando de tratar-se apenas de uma causa física qualquer, haja vista que há uma inteligência por trás de tais fenômenos. Diante de tal situação, o curioso(o que é uma característica boa!) procura saber "o que diabo é isso ?", já que observa que ninguém no recinto está provocando tal atitude.De onde vêm tais pensamentos manifestos na comunicação ?

Certamente vêm de uma mente humana, pois tal mente foi capaz de combinar um código alfabético com as pessoas presentes e responder às perguntas formuladas. Sim, trata-se de uma mente humana,mas que mente ? ninguém ali no recinto combinou com outra pessoa presente código alfabético algum, ninguém também procurou mover nenhum objeto sem tocá-lo(afinal, como poderia fazê-lo ?), então a única conclusão a que podemos chegar é: trata-se de uma inteligência humana invisível e o mais impressionante, consegue interagir com a matéria, movimentado-a, fazendo barulhos e etc. As perguntas que seguem são: Que inteligência humana é essa ? A própria inteligência disse que se tratava de uma pessoa que havia morrido algum tempo antes. Vários Cientistas estudam esses fenômenos há anos, para responder às seguintes perguntas: Como conseguem mover a matéria ? As mesmas inteligências responderam também a esta questão. Enxergam e ouvem o que se passa no ambiente ? Como isso se dá ? Isso abre um precedente para algo extraordionário: A comunicação com nossos parentes que já morreram. E a busca por informações sobre o que determina o estado da pessoa após a morte. Como conseguir isso de maneira mais metódica ?

Entre os que estudaram em profundidade tais fenômenos e responderam a tais perguntas podemos citar:
Robert Hare, Allan Kardec, Ernesto Bozzano, William Crookes, William Crawford, Zollner , Paul Gibier, Alexandre Aksakof, entre outros...

Para saber mais consulte as seguintes obras:

                                                                                                                                                                          Alexandre Filho



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O fenômeno conhecido como Experiência Fora do Corpo(EFC) ou em Inglês Out of Body Experience(OOBE) é um fenômeno no qual, em determinadas circunstâncias, a pessoa de repente se percebe fora do seu corpo, observado-o de uma outra perspectiva, observando o ambiente no qual se encontra e vendo seu corpo desacordado.É muito comum as pessoas relatarem: "EU estava no canto da sala e observava vocês me operando na mesa de cirurgia, fazendo isso ou aquilo etc".Tudo confirmado pelos médicos após a cirurgia.Muitas perguntas podem ser feitas.O que se passou foi real ou tudo não passou de alucinações devido ao momento crítico pelo qual a pessoa estava passando ? Antes de mais nada devemos lembrar que alucinação está diretamente relacionada com coisas que não pertencem a realidade, fruto de devaneios próprios, ou seja algo que não toca, de nenhuma forma, a realidade. O que acontece em EFC's é bem diferente disso, tudo que é relatado pelos pacientes é exatamente o que aconteceu, segundo a equipe médica presente, então, como considerar alucinação algo que ocorreu realmente ? Há casos de pessoas que ficaram cegas em algum momento da vida e de repente passam por uma experiência fora do corpo em uma cirurgia e se vê enxergando toda a cena da sua própria cirurgia, relatando a cena nos mínimos detalhes, tudo isso enquanto estava desacordada durante o procedimento. A pergunta que fica é: como essa pessoa percebeu toda essa cena se, no corpo, ela é cega ? Que ela viu não há dúvida pois relatou todos os detalhes, então não podemos dizer que houve uma alucinação.Nada melhor do que alguns casos registrados por médicos para que possamos fazer uma análise.


O que segue é da Dra. Elisabeth Klüber-Ross, no seu livro "A Roda da Vida", capítulo 24 - A Senhora Schwartz - Ela relata o que aconteceu com uma paciente sua:

"(...)A senhora Schwartz relatou o que viria a ser a primeira experiência de quase morte que qualquer um de nós já ouvira, embora na ocasião não fosse chamada assim. O fato ocorreu em Indiana. Sofrendo de uma hemorragia interna, a senhora Schwartz foi levada às pressas para um hospital e colocada num quarto particular, onde seu estado foi considerado crítico, grave demais para que fosse removida para Chicago. Sentindo que dessa vez estava perto da morte, ela ponderou se chamaria ou não uma enfermeira. Perguntou a si mesma quantas vezes mais queria passar por aquela provação que era ficar entre a vida e morte. Agora que havia quem tomasse conta do filho, talvez estivesse pronta para morrer. Não conseguia decidir. Parte dela queria deixar-se ir. Mas a outra parte queria sobreviver até que o filho fosse maior de idade. Quando refletia sobre o que fazer, uma enfermeira entrou no quarto, olhou para ela e saiu porta afora sem dizer nada. Segundo a senhora Schwartz, precisamente nesse momento ela flutuou para fora de seu corpo físico e elevou-se para o teto. Então, uma equipe de ressuscitação entrou correndo no quarto e começou a trabalhar freneticamente para salvá-la. Todo o tempo, a senhora Schwartz observou a cena do alto. Viu tudo nos menores detalhes. Ouviu o que cada pessoa disse. Chegou até a saber o que estavam pensando. Surpreendentemente, não sentia dor, medo ou ansiedade por estar fora de seu corpo. Apenas uma curiosidade e um espanto enormes pelo lato de ninguém a escutar. Pediu várias vezes que parassem com todo aquele estardalhaço porque ela estava muito bem. - Mas eles não me escutavam - disse. Por fim, desceu e cutucou um dos médicos, mas, para sua surpresa, seu braço passou através do braço dele. Nesse momento, tão frustrada quanto os médicos, a senhora Schwartz desistiu de se comunicar com eles, - Então, perdi a consciência - explicou. Nos quarenta e cinco minutos que aquilo durou, a última coisa que a senhora Schwartz pôde observar foi que a cobriram com um lençol e a declararam morta, enquanto um residente nervoso e decepcionado contava piadas. Três horas e meia mais tarde, porém, uma enfermeira entrou no quarto para remover o corpo e encontrou a senhora Schwartz viva."

Um outro caso relatado pela Dra. Elisabeth Klüber-Ross, no mesmo livro, Capítulo 25 - Entre a Vida e a Morte.

"(...)Um dos casos, porém, bastou para convencer-me[dá realidade do fenômeno]. Uma menina de doze anos contou-me que escondera da mãe sua experiência de quase morte. Explicou que tinha sido uma experiência tão agradável que ela, naquela hora, não queria voltar. "Não quero dizer à mamãe que existe uma casa melhor do que a nossa." Acabou contando tudo ao pai, com todos os detalhes, inclusive como tinha sido abraçada com grande carinho pelo irmão. O pai ficou impressionado. Até aquele momento, quando então ficou sabendo do fato pelo pai, nunca lhe tinham dito que tivera realmente um irmão. Ele havia morrido alguns meses antes do nascimento dela."


O próximo caso, exposto pelo Dr. Paul Gibier, em Análise das Coisas - Capítulo IV é o seguinte:

"Depois da publicação do meu livro sobre O Espiritismo, recebi de todos os lados inúmeros documentos mais ou menos importantes, assim como esse trabalho provocou igualmente cartas e visitas pessoais de muitos que me pediram esclarecimentos sobre este ou aquele incidente de sua vida, que eles não sabiam explicar. Eis uma dessas observações: “M. H... é um jovem alto, louro, de uns trinta anos, filho de pai escocês e mãe russa. É um artista gravador de talento. Seu pai foi dotado de faculdades "mediúnicas" muito poderosas. Sua mãe foi igualmente médium. Conquanto nascido em um meio espiritualista, ele jamais se ocupara de Espiritismo e nunca houvera experimentado nada de anormal, até o momento em que sofreu aquilo que apelidou de “acidente” e a respeito do qual veio consultar-me, em princípios de 1887. “Há poucos dias – disse-me ele –, entrava eu em casa, pelas 10 horas da noite, quando subitamente se apoderou de mim um sentimento de prostração estranha, que eu não compreendia. Decidido, entretanto, a não me deitar imediatamente, acendi a lâmpada e coloquei-a sobre a mesa de cabeceira, perto do leito. Apanhei um charuto, acendi-o, aspirei algumas fumaças, depois estendi-me numa espreguiçadeira. “No momento em que indolentemente me virava de costas, para encostar a cabeça na almofada do sofá, senti que andavam à volta os objetos próximos, experimentei como que um atordoamento, um vácuo; depois, de repente, achei-me transportado ao meio do quarto. Surpreendido por esse deslocamento, do qual não tinha consciência, olhei em torno de mim, e meu espanto aumentou muito mais.“A princípio, dei comigo estendido no sofá, suavemente, sem rigidez, apenas tendo a mão esquerda acima de mim, estando o cotovelo apoiado, e segurava o charuto aceso, cujo lume aparecia na penumbra produzida pelo abajur da lâmpada. A primeira idéia que tive foi que havia, sem dúvida, adormecido, e experimentava o resultado de um sonho. Entretanto, reconhecia que nunca sentira coisa semelhante e que me parecesse tão intensamente a realidade. Direi mais: tinha a impressão de que jamais havia estado tão deveras na realidade. Compreendendo que se não tratava de um sonho, o segundo pensamento que acudiu, de súbito, à minha imaginação, foi de haver morrido. E, ao mesmo tempo, lembrei-me de ter ouvido dizer que há Espíritos, e pensei que eu mesmo me tornara Espírito. Tudo quanto podia saber sobre esse assunto desenrolou-se longamente, mas em menos tempo do que é preciso para lembrá-lo em minha vida interior. Lembro-me perfeitamente de ter sido assaltado, então, por uma espécie de ansiedade e pesar por coisas inacabadas; a minha vida apareceu-me qual uma profissão de fé. “Aproximei-me de mim, ou, antes, do meu corpo, ou do que acreditava ser já o meu cadáver. Um espetáculo, que não compreendi logo, me atraiu a atenção: contemplei-me respirando, porém vi mais o interior do meu peito, e dentro dele o coração batia lentamente em débeis palpitações, mas com regularidade. Via meu sangue, de um vermelho de fogo, correndo nas artérias. Nesse momento compreendi que devia ter tido uma síncope de caráter particular, a menos que as pessoas sob a ação de uma síncope, pensava à parte, se esqueçam de tudo quanto lhes ocorra durante o desmaio.


Então receei perder a lembrança quando voltasse a mim... “Sentindo-me mais animado, olhei ao redor, perguntando a mim mesmo até quando ia isso durar; depois, não fiz mais caso do meu corpo, do outro eu, que continuava a repousar. Via a lâmpada continuando a alumiar silenciosamente, pensei que ela estava muito perto do meu leito e podia incendiar-lhe o cortinado; segurei no botão, isto é, na chave de torcida para apagá-la, porém, ainda aí encontrei novo motivo de surpresa! Sentia perfeitamente o botão com a roseta, percebia, por assim dizer, cada uma das suas moléculas, mas, embora desse voltas com os dedos, estes executavam sozinhos o movimento, e debalde procurava mover o botão. “Então examinei-me a mim mesmo e vi que, embora minha mão pudesse passar através do corpo, eu o sentia perfei-tamente, e ele me pareceu vestido de branco, se neste ponto a memória me não falha. Depois, coloquei-me diante do espelho, em frente da chaminé. Em vez de ver minha imagem no espelho, reparei que a vista parecia estender-se sem estorvo, e apareceram-me, primeiro, a parede, depois a parte posterior dos quadros e dos móveis que existiam na casa do vizinho e, finalmente, o interior do seu quarto. Notei a falta de luz nesses aposentos que a vista devassava e divulguei claramente um raio de claridade, que, partindo do meu epigástrio, iluminava os objetos. “Ocorreu-me a idéia de penetrar na casa do vizinho, a quem não conhecia e que estava ausente de Paris naquele momento. Apenas pensava em visitar a primeira sala, quando aí me achei conduzido. Como? Nada sei; mas julgo que varei a parede tão facilmente quanto a vista a penetrava. Logo me encontrei em casa do vizinho, pela primeira vez na minha vida. Examinei os quartos, gravei seu aspecto na memória, dirigi-me a uma biblioteca onde notei com todo o cuidado muitos títulos de obras colocadas sobre uma prateleira à altura de meus olhos. “Para mudar de lugar, bastava-me querer e, sem esforço, achava-me imediatamente onde desejava ir. “Desse momento em diante, as minhas reminiscências são muito vagas; sei que andei por longe, muito longe, pela Itália, creio, mas não posso contar como empreguei o tempo. Foi como se, não tendo mais ação sobre mim mesmo, não sendo mais senhor das minhas idéias, andasse transportado de uma a outra parte, carregado para onde meu pensamento se dirigisse. Ainda não tinha recuperado a consciência; o pensamento se me dispersava antes que eu pudesse apanhá-lo; a imaginação, naquela ocasião, levava a casa consigo. “O que posso acrescentar, concluindo, é que acordei às cinco horas da manhã, no meu sofá rígido, frio, segurando ainda a ponta do charuto entre os dedos. A lâmpada apagara-se, enfumaçando o tubo. Atirei-me à cama sem poder dormir e fui sacudido por um calafrio. Finalmente, conciliei o sono e quando despertei era dia claro. “Por meio de um inocente estratagema, no mesmo dia induzi o porteiro da casa a ir examinar no aposento vizinho se tudo estava em ordem; e, subindo com ele, pude encontrar os móveis, os quadros vistos por mim, assim como os títulos dos livros que houvera atentamente observado durante a noite precedente. “Evitei com cuidado falar disso a qualquer pessoa, não querendo passar por maluco ou alucinado...” Terminando a narrativa, M. H. acrescentou: “Que pensais disso, doutor?” Na época em que M. H. me deu conta desse “acidente”, eu já sabia que as coisas podem ocorrer como ele contou; e já conhecia, em parte, as razões; entretanto, encarei bem de frente o meu interlocutor, para ver se ele tinha a intenção de mistificar-me. Ele estava muito sério e parecia bem preocupado com o que lhe havia sucedido."

O Caso seguinte é exposto por Ernesto Bozzano em Reminiscências de Uma Vida Anterior:

"(...) Uma noite em que se achava estudando, preparando-se para os exames do diploma universitário, foi vencido pela sono, caindo sobre a cama e provocando a queda de uma lâmpada de petróleo que não se apagou, produzindo uma densa labareda asfixiante. A atmosfera se tornou irrespirável e o Senhor Costa sucumbiria asfixiado se não houvesse sucedido estranho incidente. Viu-se subitamente de pé em meio ao quarto, perfeitamente desperto, mas separado do corpo o qual contemplava diante de si, deitado insensível sobre o leito. E não somente o via exteriormente, mas, também, interiormente, divisando sobretudo os plexos nervosos e os vasos sangüíneos que palpitavam a um ritmo acelerado. Ele se sentia livre, ligeiro, etéreo, mas ao mesmo tempo oprimido por uma angústia inexplicável; é que estava ligado ao corpo material que naquele momento sofria horrivelmente. Pensou em levantar a lâmpada e abrir a janela, mas se deu conta de que não tinha ação sobre a matéria. Pensou então em sua mãe que dormia no quarto ao lado e, imediatamente, através da parede, viu-a dormindo em sua cama, rodeada de uma atmosfera radiante que não tinha seu próprio corpo. Chamou-a, pedindo-lhe socorro e viu como despertava sobressaltada, deixava rapidamente a cama e corria a abrir a janela, como se executasse automaticamente a última exortação expressa por ele. Viu-a em seguida sair do seu quarto, precipitar-se para o do seu filho, abrir a janela e buscar o corpo inanimado. Ao contato com as mãos maternais, o espírito exteriorizado do filho se sentiu atraído para seu corpo, que revivesceu, despertando pouco depois, com gravíssimos sintomas de asfixia. Este fenômeno de "bilocação" que acorreu com ele mesmo, no qual seu espírito havia abandonada o corpo que pôde contemplar à distância, como se já não lhe pertencesse, enquanto permanecia vivendo e mais consciente que antes, serviu par convencer o paciente da existência e da sobrevivência da alma e, conseqüentemente, serviu para orientar corretamente o seu pensamento na busca de uma hipótese capaz de explicar as sensações do "já visto" e do "já sentido", que se renovavam nele com tanta freqüência. Alude a tudo isto na seguinte passagem: Jamais experimentei tão fortemente a sensação de viver como no momento em que me senti separado do corpo. Perguntei a minha mãe pouco depois do incidente e ela me confirmou que primeiramente abriu a janela de seu quarto como se experimentasse ela mesma uma sensação de asfixia, antes de correr em meu auxílio. Pois bem, o fato de havê-la visto fazer isto, apesar da parede que nos separava, enquanto eu estava deitado, inanimado, sobre a cama, excluía a hipótese de uma alucinação ou de um pesadelo durante um sonho que transcorria em circunstâncias fisicamente anormais. Não me vinha nenhuma outra dedução lógica senão supor que meu "Eu" pensante havia trabalhado fora do meu corpo... Tivera, pois, a prova evidente de que minha alma se separara do corpo durante a existência corporal, tivera, em suma, a prova da existência da alma e até da imortalidade. Porque se é verdade que se desprendeu, sob a influência de circunstâncias especiais, da envoltura material do corpo, atuando e pensando fora dele, é natural que volte a encontrar depois da morte a plenitude de sua liberdade e o desprendimento de todo laço material."


No vídeo ao lado, podemos observar as pesquisas do Dr. Karlis Osis diretor da A.S.P.R (Sociedade Americana de Pesquisas Psiquicas) onde demonstra um teste laboratorial, no qual Alex Tanous, que consegue sair do corpo quando quer, consegue ver um simbolo dentro de uma máquina, colocado em diversas posições, dispostas em seqüência aleatória, decidida por computador, e com algumas salas de distância entre Tanous e a máquina . O equipamento foi projetado de modo que você precisa espiar exatamente da posição correta para ver o símbolo dentro da máquina, não é possível vê-lo de outra posição.Isso é para evitar que ele pudesse saber qual era o símbolo apenas por alguma faculdade espiritual, como clarividência. Ele precisa se colocar diretamente em frente ao orifício e espiar por ele, como um olho mágico, ou não verá nada. Além disso, havia um detector de campo eletromagnético para tentar apontar alguma variação de campo no momento da observação, para que se tivesse certeza que algo ali estava presente em frente ao equipamento. O equipamento detectou essa alteração de campo, indicando a presença de algo em frente ao orifício de observação no momento em que Tanous estava fora do corpo. Esta cena aparece a 1h 17min do clássico documentário de Rolf Olsen "Journey into to the Beyond".


Diante dos fatos acima expostos, qualquer pessoa racional e livre de preconceitos sabe que não se encontra diante de simples alucinações.Fatos como esses existem aos milhares, vivenciados por pessoas que nunca se viram e que nenhuma ligação com assunto tiveram antes de passar pela experiência.

Para saber mais consulte as seguintes obras:

                                                                                                                                                                          Alexandre Filho


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Referida em muitas culturas, entre povos primitivos ou civilizados, de épocas remotas ou atuais, seja no Oriente ou no Ocidente, a ideia central de que após a morte nós, seres humanos, voltaríamos a viver novamente sempre esteve presente no pensamento humano.

Não obstante as visões diferentes do mesmo conceito, a essência, ou seja, a sobrevivência da mente e o seu futuro renascimento em um novo corpo nunca mudou. Seria esse mais um dogma religioso ? Apenas um conceito, resultado de uma concepção existecial específica ? Poderíamos pensar assim, se tudo fosse fruto de interpretações teológicas ou mesmo de especulações filosóficas, mas esse não é o caso.Desde o Século XIX(de maneira mais aprofundada), muitos pesquisadores de várias áreas do conhecimento têm esbarrado com pessoas em estado normal ou alterado de consciência que possuem lembranças que não pertencem a nenhum acontecimento dessa vida, não obstante sejam reais. Nessas pesquisas, vemos pessoas expressarem conhecimentos que não foram adquiridos nessa existência, falar idiomas que não estudaram ao lembrar de suas vidas passadas, lembrar de eventos vividos anteriomente e que foram confimados, sejam por documentos, sejam por pessoas que viveram com ela nessa outra existência e que ainda se encontram vivas.Interessante é perceber, durante os relatos, pontos de contato com outros fenômenos espirituais como as Experiências de Quase Morte(E.Q.M) , onde a pessoa que se encontra em estado alterado de consciência lembra-se do momento da morte, em outra existência, com todos os detalhes que as pessoas que passaram por uma EQM descrevem em seus relatos.


Vejamos o que diz o Dr. Brian Weiss, Psiquiatra Americano,em seu livro, "Muitas Vidas, Muitos Mestres",Capítulo IV, quando se refere a sua paciente Catherine, que em estado de transe relata de forma espontânea(ou seja, não foi induzida pelo médico a isso) suas lembranças de outras vidas, incluindo o momento da sua morte:

"Sentia-me fascinado com o modo como os seus conceitos de morte e de vida depois da morte se modificavam de vida para vida(de acordo com suas concepções religiosas do momento).E, no entanto, em todas as vezes a sua experiência de morte era absolutamente uniforme, perfeitamente similar. Uma parte consciente dela abandonava o corpo no momento da morte, flutuando acima dele, para em seguida ser atraída por uma luz maravilhosa, fonte de energia."

Em outro ponto do mesmo livro, diz:   "Isto fez-me recordar os estudos do Dr. Raymond Moody sobre vítimas de experiências de quase morte . Os seus pacientes também se recordavam de flutuar."

Além de Brian Weiss, outro grande nome na pesquisa em Reencarnação é o Dr. Ian Stevenson. A obra "Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação" compreende uma amostragem extraída do já grande acervo de fatos estudados em vários países pelo Dr. Ian Stevenson. Este cientista possui em seus arquivos cerca de seiscentos casos, dos quais investigou pessoalmente mais de duzentos.Em tais investigações as pessoas não se encontravam em estados alterados de consciência, mas em condição normal. Além desses casos diretos, onde a própria pessoa lembra, há muitos outros casos conectados aos outros fenômenos espirituais,como Psicografia, Psicofonia e etc, onde os Espíritos se referem a Reencarnação de uma maneira Natural. Tais estudos se encontram em abundância nas Obras de Allan Kardec.


Ora, uma vez confimada a Reencarnação, temos que a sobrivência da alma está provada como um corolário desta, haja vista que se já morremos em outra existência e estamos aqui nos lembrando dela, isso indica que a morte não elimina a consciência(a Alma) e que vamos morrer mais uma vez e ainda assim nossa consciência não se extinguirá. Dá mesma forma prova-se a pré-existência da alma ao nascimento e, assim, uma ampla gama fatos até então inexplicados, ficam claros, como as aptidões inatas, fobias inexplicáveis e etc. A Reencarnação pode ser tomada como a ponta do novelo para quem estuda sobre Vida Após a Morte, pois dela surgem inúmeras outras perguntas: A Alma, sendo imortal, como é o estado intermediário entre duas vidas ? A pessoa é consciente de si e do mundo ao seu redor durante esse tempo ? Se sim, é possível comunicar-se com quem está vivo ? Como isso se dá ? Em que circustâncias ? Essas perguntas são respondidas em cada Área de Pesquisa específica que, juntas, formam um todo admirável que demonstra a realidade espiritual de forma incontestável.

Para saber mais consulte as seguintes obras:

                                                                                                                                                                          Alexandre Filho

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Certamente o mais conhecido dos fenômenos mediúnicos, principalmente aqui, no Brasil, onde nós tivemos, sem dúvida, o maior médium psicógrafo de todos os tempos, Chico Xavier , com mais de 400 obras psicografadas, apesar de ter estudado apenas o primário. A Psicografia, do grego Psique = Alma e graphé = escrita, caracteriza-se pela escrita dos Espíritos pela mão de um médium. É, também, mais um fenômeno que demonstra a interferência de uma mente externa no processo de comunicação, haja vista que possui estilo e palavreado próprios, indiferentes ao médium; durante as pesquisas, os estudiosos se depararam com médiuns analfabetos escrevendos discursos do mais alto valor filosófico, perguntas mentais eram feitas e as respostas escritas em uma língua completamente ignorada pelo médium, casos há em que a letra da pessoa falecida é expressa no papel, e a cada Espírito que se apresenta, uma letra diferente aparece.

Marcel Souto Maior, em seu livro de reportagem investigativa sobre o tema, "Por trás do Véu de Ísis",páginas 22 e 23 diz:

"O perito Carlos Augusto Parandréa, especialista em identificação datiloscópica e grafotécnica, analisou a caligrafia de mensagens psicografadas por Chico Xavier e confrontou a grafia dos textos escritos por ele com outros assinados pelos mortos na época em que eram vivos. O resultado desses exames grafotécnicos se transformou no livro "A psicografia à luz da grafoscopia". Uma das mensagens estudadas, letra a letra, frase a frase, era atribuída a Ilda Mascaro Saullo, morta em Roma, de câncer, em 22 de Setembro de 1977. Chico foi portador de um bilhete póstumo dela, devidamente escrito em italiano(língua que ele não conhecia). "Ortensio, figli del mio cuore" [Orténsio, filho do meu coração]. Parandrea, filho de família católica, buscou na mensagem psicografada traços de Chico e vestígios da escrita original de Ilda. Um dos trechos de seu doissê se detém na análise minuciosa da caligrafia da primeira palavra da mensagem: "Ortensio"(o mesmo nome escrito por Chico no texto psicografado e por Ilda num cartão de Natal).




Conclusão do Exame:

"No cotejamento dos vocábulos acima, constata-se a perfeita igualdade nas letras "t", bem como nos gramas de ligação entre os símbolos "r" para "t", "t" para "e", "e" para "n". Ainda nas letras "t", confirma-se igualdade nas extensões e aberturas das hastes, com os mesmos "quebramentos" oriundos de um mesmo sentido genético e tendência genética. Igualdade, também, no corte das letras "t", que apresentam as barras na mesma altura e na mesma inclinação. As letras "e" apresentam a mesma concepção genética, lembrando a forma de um losango."

Ao encerrar seus estudos, o professor Carlos Augusto Parandréa - na época professor do Departamento de Patologia Aplicada, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina - aderiu ao Espiritismo. "

Xenoglossia - Mediunidade Poliglota:

Ernesto Bozzano, em seu livro "Xenoglossia" , nos fala sobre o assunto:


"O termo “xenoglossia” foi proposto pelo professor Richet, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmente e, às vezes, ignoradas de todos os presentes, dos casos afins, mas radicalmente diversos, de “glossolalia”, nos quais os pacientes sonambúlicos falam ou escrevem em pseudolínguas inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, pseudolínguas que não raro se revelam orgânicas, por serem conformes às regras gramaticais.
(...) Do ponto de vista teórico, a “mediunidade poliglota” se mostra uma das mais importantes manifestações da fenomenologia metapsíquica, pois por ela se eliminam de um só golpe todas as hipóteses de que disponha quem queira tentar explicá-las, sem se afastar dos poderes supranormais inerentes à subconsciência humana, porquanto a interpretação dos fatos, no sentido espiritualista, se impõe aqui de forma racionalmente inevitável. Quer isto dizer que, graças aos fenômenos de xenoglossia, se deve considerar provado que, nas experiências mediúnicas, intervêm entidades espirituais extrínsecas ao médium e aos presentes.
(...) Do ponto de vista científico, os casos que formam esta categoria(Psicografias) são os melhores, por isso que o texto escrito em língua que o médium ignorava fica, como documento irrefragável, à disposição dos estudiosos, ao passo que, com os médiuns pelos quais falam entidades extrínsecas, quase sempre ocorre termos que fiar do perspicaz discernimento dos experimentadores, a menos que entre estes haja quem tome o encargo de registrar diligentemente as palavras que o médium profere(...)

Na Imagem ao lado(clique para ampliar),retirada do livro supracitado, de Marcel Souto Maior, vemos uma Psicografia Especular em Inglês, por Chico Xavier, que ignorava o idioma. A mensagem é de Emmanuel, Espírito que dirigia as atividades mediúnicas do médium.


Para ler corretamente a mensagem é necessário colocar em frente a um espelho:

"My dear spiritualists friends. Men's learning is nothing over against of the death; let you support your cross with patience and courage. The pain and faith are the greater earthly sure and the work is the gold of the life. - Emmanuel"



    Tradução:

"Meus caros amigos espiritualistas.O conhecimento dos homens é nulo em face da morte; suportai a vossa cruz com paciência e coragem.A dor e a fé são os maiores tesouros terrenos e o trabalho é o ouro da vida. - Emmanuel"

Na imagem ao lado, vemos uma psicografia cuja a mensagem está grafada em um idioma oriental - Japonês ? - recebida pelo médium Carmine Mirabelli, durante estudos no "Centro de Estudos Psíquicos - César Lombroso", Instituição de Pesquisa do início do século passado.

Encerrando esse artigo, apresento uma psicografia recebida por Chico Xavier, do Espírito Emmanuel que expressa muito bem o espírito desse site:

Em Honra da Liberdade

Se alcançaste um raio de luz do Evangelho, avança na direção do Cristo, o Divino Libertador.
Não julgues seja fácil semelhante viagem do espírito.
Encontrarás, em caminho, variados apelos à indisciplina e à estagnação.
Serás surpreendido a cada passo pelos sofistas da Religião, pelos falsários da Filosofia,
pelos paranóicos da Ciência e pelos dilapidadores da História, empavesados nas engenhosas
criações mentais em que encarceram a própria vida, buscando atrelar-te pensamento ao carro
da argumentação filauciosa a que se acolchetam, famintos de louvor e da vassalagem.
Mutilando a revelação divina, desfigurando preceitos da verdade, abusando da inteligência
ou fantasiando episódios furtados ao registro fiel do tempo, armam ciladas ou levantam castelos
teóricos, em que a sugestão menos digna te inclina a existência à rebelião e ao pessimismo,
à viciação e à inutilidade. Atendendo, quase sempre, a interesses excusos, lisonjeiam-te a insipiência,
incensando-te o nome, quando não se desmandam na vaidade, aliciando-te a decisão
para que lhes engrosses o séqüito de loucura. Acompanhando-os, porém, não te farás senão presa deles,
fâmulo desditoso das idéias desequilibradas que emitem, no temerário propósito de se anteporem ao próprio Deus.
Querem escravos para os sistemas falaciosos que mentalizam, quando Jesus deseja te faças livre para a conquista da própria felicidade.
Acautela-te no trato com todos os que tudo te pedem, no campo da independência espiritual, limitando-te a capacidade de sentir e pensar,
empreender e construir, porquanto, em nos fazendo tributários da falsa glória em que se encasulam, relegam-nos a existência
a planos de subnível, quando o Cristo de Deus, tudo nos dando em amor e sabedoria, nos ampliou a emoção e o conhecimento,
a iniciativa e o trabalho,convertendo-nos em filhos emancipados da Criação, para que tenhamos não apenas a vida, mas Vida Santificada e Abundante.

Emmanuel

Para saber mais consulte as seguintes obras:
                                                                                                                                                                          Alexandre Filho

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Certamente o fenômeno mais espetacular da fenomenologia mediúnica, o que destrói toda e qualquer hipótese materialista para a explicação dessa classe de fenômenos da Natureza. O Fenômeno de Materialização se caracteriza pela aparição tangível e visível, por qualquer um, de pessoas já falecidas.Trata-se, portanto, de algo objetivo. O que normalmente só é visto por pessoas com algum nível de clarividência se torna visível para todos, legitimando, assim, a palavra dos médiuns ao afirmarem entrar em contato com falecidos. Durante o fenômeno estudado por nomes importantes da Ciência como William Crookes, Charles Richet, médico ganhador do prêmio Nobel de Fisiologia, Gustave Geley, entre outros, vemos os Médiuns, com o auxílio dos quais o fenômeno se processa, serem amarrados, algemados e trancados em gaiolas para que toda a suposição de fraude fosse afastada.Para que possamos compreender o fato, é necessário compreender como o fenômeno se processa. Vale ressaltar 3 coisas com respeito às fotos exibidas neste artigo:

  1. Essas fotos foram tiradas em sua grande maioria no Século XIX, época em que a fotografia era possível apenas com câmeras que usavam magnésio(exceto as fotos referentes à pesquisa no laboratório de Waldo Vieira - mais abaixo - que é de data mais recente, 1963). Não existia portanto computadores com poder de processamento suficiente(muito menos software para tal) para que fosse possível a realização de uma montagem ou qualquer meio que indique fraude.

  2. As pessoas que realizaram as pesquisas eram pessoas sérias, muitos foram cientistas premiados em suas respectivas áreas de estudo. Supor mistificação por parte deles, é automaticamente supor mistificação em resultados importantes para a Ciência como a descoberta do elemento químico Tálio(devido a William Crookes) ou a estudos importantes de Fisiologia(Charles Richet) ou ainda estudos sobre ondas hertzianas, por parte de Oliver Lodge.

  3. Vale lembrar também que não se pode alegar Alucinação, haja vista que máquinas fotográficas não se alucinam.

O Ectoplasma ou Fluido Vital ou ainda Prana

O Ectoplasma, termo criado pelo professor Charles Richet, do grego ektos – por fora e plasma – dar forma, modelar, é a substância retirada dos médiuns através dos diversos orifícios do corpo, pelos Espíritos. Sendo amorfa, vaporosa, com tendência à solidificação e tomando forma por influência de um campo organizador específico seja a mente dos encarnados ou desencarnados. Facilmente fotografado, de cor branca-acinzentada, vai desde a névoa transparente à forma tangível.Sensível à influência da luz, desfaz-se quando exposto a ela. É com o auxílio dessa substância, retirada dos médiuns, que os Espíritos conseguem se tornar visíveis e tangíveis. As fotos abaixo mostram os médiuns expelindo Ectoplasma:



O Ectoplasma foi analisado por vários pesquisadores dos quais destacamos as seguintes conclusões:

  • Dr.V. Dombrowsky (Varsóvia) - "O ectoplasma está constituído de matéria albuminóide, acompanhado de gordura e de células tipicamente orgânicas. Não foram encontrados amiláceos e açúcares".

  • Dr. Francês ( Munich) - "Substância constituída de inúmeras células epiteliais, leucócitos e glóbulos de gordura".

  • Dr. Albert Scherenk-Notzing citado por Charles Richet - "O ectoplasma está constituído por restos de tecido epitelial e gorduras".

  • Dr. Hernani G. Andrade - "O ectoplasma é Substância formada com recursos da natureza originando-se dos tecidos vegetais (ectofiloplasma) e de origem animal (ectozooplasma) e de origem mineral (ectomineroplasma)".



O contato com os Espíritos Materializados - O que contam os pesquisadores:

Em seu livro, "Researches in the phenomena of spiritualism", William Crookes nos conta o contato com Katie King, Espírito que aparecia durante suas pesquisas, com a ajuda da Mediunidade de Florence Cook:

"A 12 de março, durante uma sessão em minha casa e depois de Katie ter andado entre nós e ter falado durante algum tempo, esta retirou-se para trás da cortina que separava o meu laboratório, onde os assistentes estavam sentados, da minha biblioteca, que temporariamente serviu de gabinete. Um momento depois ela reapareceu à cortina e chamou-me, dizendo: “Entre no aposento e levante a cabeça da médium; ela escorregou para o chão”. Katie estava então em pé, diante de mim, trajada com seu vestido branco habitual e trazia um turbante.

Imediatamente dirigi-me à biblioteca para levantar a Srta. Cook, e Katie deu alguns passos de lado para me deixar passar. Com efeito, a Srta. Cook tinha escorregado um pouco de cima do canapé e sua cabeça pendia em posição muito penosa. Tornei a pô-la no canapé e fazendo isso tive, apesar da escuridão, a viva satisfação de verificar que a Srta. Cook não estava trajada com o vestuário de Katie, mas que trazia a sua vestimenta ordinária de veludo preto e se achava em profunda letargia. Não decorreu mais que três segundos entre o momento em que vi Katie de vestido branco diante de mim e o em que coloquei a Srta. Cook no canapé, tirando-a da posição em que se achava. Voltando ao meu posto de observação, Katie apareceu de novo e disse que pensava poder mostrar-se a mim ao mesmo tempo em que a sua médium. Abaixou-se o gás e ela me pediu a lâmpada fosforescente. Depois de ter-se mostrado à claridade durante alguns segundos, ma restituiu, dizendo: “Agora, entre e venha ver a minha médium”. Acompanhei-a de perto à minha biblioteca e, à claridade da lâmpada, vi a Srta. Cook estendida no canapé, exatamente como eu a tinha deixado; olhei em torno de mim para ver Katie, porém ela tinha desaparecido. Chamei-a, mas não recebi resposta. Voltei ao meu lugar; Katie tornou a aparecer logo e me disse que durante todo o tempo tinha estado em pé, perto da Srta. Cook; perguntou, então, se ela própria não poderia tentar uma experiência e, tomando das minhas mãos a lâmpada fosforescente, passou para trás da cortina, pedindo não olhasse para o gabinete. No fim de alguns minutos, restituiu-me a lâmpada, dizendo que não tinha podido sair-se bem, que havia esgotado todo o fluido da médium, mas que tornaria a experimentar em outra ocasião. Meu filho mais velho, rapaz de 14 anos, que estava sentado à minha frente, em posição que podia ver o que se passava por trás da cortina, disse-me que tinha visto distintamente a lâmpada fosforescente, que parecia planar no espaço acima da Srta. Cook, iluminando-a durante o tempo em que ela estivera estendida e imóvel no canapé, mas que não tinha podido ver ninguém segurar a lâmpada.

Passo agora à sessão que se realizou ontem, à noite, em Hackney. Katie nunca apareceu com tão grande perfeição. Durante perto de duas horas passeou na sala, conversando familiarmente com os que estavam presentes. Várias vezes tomou-me o braço, andando, e a impressão sentida por mim era a de uma mulher viva que se achava a meu lado, e não de um visitante do outro mundo; essa impressão foi tão forte, que a tentação de repetir uma nova e curiosa, experiência tornou-se-me quase irresistível."

Estudando essas pesquisas vemos que após a morte o ser humano conserva consigo um corpo identico ao que entrará em estado de decomposição, porém mais sutil, fluídico. Quando digo idêntico me refiro, também, a estrutura biológica com órgãos como coração e pulmão, com funcionamento fisiológico.

Vejamos o que mostram as pesquisas:

William Crookes, em seu livro supracitado, nos conta:

Tenho a mais absoluta certeza de que a Srta. Cook e Katie são duas individualidades distintas, pelo menos no que diz respeito aos seus corpos. Vários pequenos sinais, que se acham no rosto da Srta. Cook, não existem no de Katie. A cabeleira da Srta. Cook é de um castanho tão forte que parece quase preto; um cacho da cabeleira de Katie, que tenho à vista e que ela me permitira cortar de suas tranças luxuriantes, depois de ter seguido com os meus próprios dedos até ao alto da sua cabeça e de haver convencido de que ali nascera, é de um rico castanho dourado.

Uma noite, contei as pulsações de Katie; o pulso batia regularmente 75, enquanto o da Srta Cook, poucos instantes depois atingia a 90, seu número habitual. Auscultando o peito de Katie, eu ouvia um coração bater no interior e as suas pulsações eram ainda mais regulares que as do coração da Srta. Cook, quando, depois da sessão, ela me permitia igual verificação.

Examinados da mesma forma, os pulmões de Katie mostraram-se mais sãos que os da médium, pois, no momento em que fiz a experiência, a Srta. Cook seguia tratamento médico por motivo de grave bronquite.

Em seu primeiro relatório, publicado em “Anais da Ciência Psíquica”, Charles Richet descreve minuciosamente a aparição do Espírito materializado de um homem que dizia chamar-se “Bien Boa”.Diz o Professor que essa forma possuía todos os atributos de vida:

“Anda, fala, move-se e respira como um ser humano. O corpo é resistente e tem uma certa força muscular. Nem é uma figura de gesso, nem uma boneca ou uma imagem refletida num espelho;é um ser vivo; é um homem vivo; e há razões para resolutamente pôr de lado qualquer outra suposição que uma ou outra dessas hipóteses – de que seja um fantasma com atributos de vida; ou de que seja uma pessoa viva, fazendo o papel de um fantasma"



Descrevendo o desaparecimento do Espírito, diz ele:

“Bien Boa procura, segundo me parece, vir ao nosso meio, mas anda coxeando e hesitante. Não poderia dizer se ele anda ou desliza. Em certa ocasião escorrega e quase cai, mancando como se a perna não pudesse suportá-lo. (Dou a minha própria impressão). Então se encaminha para a abertura da cortina e subitamente mergulha, desaparecendo no chão; ao mesmo tempo ouve-se um “clac! clac!” como o ruído de um corpo atirado no chão.”

Uma curiosa experiência com Bien Boa foi tentar que ele soprasse num frasco contendo uma solução de barita, para ver se a respiração mostrava óxido de carbono. Com dificuldade o Espírito fez o que lhe pediam e o líquido mostrou a reação esperada. Durante essa experiência a médium e uma nativa que se sentava com ela na cabine foram vistas claramente. Richet registra um incidente divertido durante essa experiência. Quando a solução de barita se tornou branca, os assistentes gritaram “Bravo! “, com o que a forma de Bien Boa apareceu três vezes à abertura da cortina, curvou-se como um ator no teatro, ao ser chamado à cena. Richet e Delanne tomaram muitas fotografias de Bien Boa, as quais são descritas por Sir Oliver Lodge como as melhores que ele tinha visto no gênero.

Aqui, no Brasil, também tivemos pesquisas desse gênero, com diversos Médiuns e Pesquisadores. Uma pesquisa que ficou famosa na sua época foi a que deu origem ao livro, "O Fotógrafo dos Espíritos" , de autoria de Nedyr Mendes da Rocha, em 1963. As pesquisas foram realizadas no consultório médico do Dr. Waldo Vieira, uma comissão com mais de 10 médicos participaram dos estudos. Acompanhando os estudos também se encontrava Chico Xavier. Os médiuns estudados foram Otília Diogo e Antônio Alves Feitosa. Nedyr Mendes da Rocha, que participou das pesquisas como fotógrafo dos fenômenos registrados, nos diz o seguinte acerca do local onde eram realizados os estudos, pág 128 e 129:

O recinto compreendia duas salas. A primeira, um pouco maior, medindo cerca de 4,50x4,40m perfazendo um total de 19.80m². Nessa sala, usada por Waldo Vieira como consultório médico, foi onde aconteceram as sessões de efeitos físicos. A segunda, um pouco maior, originalmente usada como farmácia, possuía uma pia com torneira, e porta interligando as duas salas, foi adaptada para ser o laboratório fotográfico, local onde revelei os filmes(Figura 14).

As duas salas foram hermeticamente fechadas vedadas para que não penetrasse luz (sob o efeito da luz forte o Ectoplasma se desfaz). A primeira possuía um exaustor e um ventilador que eram fixados em aberturas na parede.Durante o dia claro, quando se fez a primeira sessão de materialização como experimentação, foram pregadas na parede, placas de compensado cobrindo os buracos onde extavam instalados os exaustores, a fim de vedar a passagem de luz. À noite tirávamos as placas, a fim de liberarmos as funções dos exaustores, pois não havia luz externa e o calor era intenso. A construção era cercada por terrenos baldios e as ruas não tinham iluminação.

Waldo Vieira mandou confeccionar uma grade de ferro, chamada por alguns de jaula, pois tinha esse formato. Era um cubo, com as laterais e parte superior fechadas. Não tinha piso. Foi construída com barras de ferro redondas, soldadas entre si. Num dos lados, possuía uma porta do mesmo material com ferrolho e um cadeado.

             

Relatório do dia 12 de Novembro de 1963, terça-feira, 21 horas:

Participaram 32 pessoas(26 médicos e 6 profissionais diversos), devidamente acomodados em cadeiras de madeira. Nas costas de cada um, presa à camisa, pequena tira de esparadrapo pintado com tinta fosforescente para que, caso alguém se levantasse fosse percebido pelos demais experimentadores. (medida necessária pois a sala se encontrava às escuras).

Na cabine ou jaula foram colocadas duas cadeiras comuns que, atadas com fortes cordas às barras de ferro, eram impedidas de qualquer movimento. Nessas cadeiras sentaram-se os médiuns de efeitos físicos: Antônio Alves Feitosa e Otília Diogo, os dois foram algemados(algemas do tipo usadas pela polícia) nos pulsos, tiveram as pernas e o tórax atados à cadeira com correias de couro, unindo-se as pontas das mesmas com cadeado e um fino cordao lacrado e autenticado por algum dos médicos presentes. As chaves das algemas e dos cadeados ficaram com os experimentadores, fora da jaula. A única porta de acesso à jaula foi fechada com dois enormes cadeados e, ainda, colocada de encontro à parede, impossibilitando, assim, a saída ou entrada de qualquer pessoa.(Figuras 17 e 18).

Importante mencionar que a médium Otília Diogo estava vestida com uma túnica ou bata toda preta, peça única, mangas compridas. Como roupa íntima, estava vestida com uma calcinha. O médium Feitosa vestida uma calça comprida de cor marrom escuro, camisa bege clara com listras verticais marrom.

Como se nota, cuidados ao extremo foram tomados, inclusive na distribuição das máquinas fotograficas nas paredes da sala, bem como dois gravadores de som colocados em posiçao estratégica, controlando-se o movimento na sala e as vozes no recinto.

Em todas as sessões realizadas na sala do consultório do médico Waldo Vieira, tomou-se o mesmo cuidado, ou seja, as pessoas eram examinadas, não podendo ingressar com nenhum objeto, inclusive cintos.Todos os participantes foram pesados antes do inicio dos trabalhos, anotando-se a massa em ficha própria, para posterior verificaçao de perda ou aumento de massa(comum em reuniões de materialização). Houve pessoas que perdeam mais de 1Kg por sessão. os exames dos médiuns, antes e depois dos trabalhos, ficaram a cargo do medico Armando Valente do Couto que, entre outros, verificou a pressao arterial, pulso , asuculta cardíaca e peso.

           

Apresentavam-se nessas sessões vários Espíritos, quer por intermédio da voz direta, quer materializados. Dois dos Espíritos que se apresentavam durante os estudos eram o Padre João e o Dr. Alberto Veloso (foto acima). Nota-se, nas fotos, que após a morte do corpo físico, um outro idêntico ao antigo se conserva com o Espírito, podendo se tornar visível, quando do contato com o Ectoplasma retirado dos médiuns. Observe os detalhes anatômicos perfeitos no Espírito Padre João , na figura 6, acima. Clicando na figura nota-se os detalhes das sobrancelhas e dos dedos. Indagados sobre o motivo de, às vezes, aparecerem com partes do corpo encobertas, responderam:

"Quando não se consegue a quantidade de Ectoplasma necessária para se materializar por completo, utiliza-se desse expediente de recobrir a parte faltante, principalmente quando é no rosto, com um véu a fim de não causar mau impacto, não assustar as pessoas, mostrando um rosto deformado com um buraco no meio."

Na fotos abaixo, vemos Chico Xavier, Waldo Vieira, e os outros experimentadores, estudando Alberto Veloso materializado. Na fotografia B1, vemos Chico Xavier e Waldo Vieira entregando o livro "O Evangelho, segundo o Espiritismo" para o Espírito que está saindo das grades, enquanto os médiuns estão desacordados lá dentro.

           

           

Esse artigo apresentou apenas uma pequena, diria micro, amostra da literatura disponível sobre o assunto Materializações de Espíritos. Aos interessados em continuar os estudos desse tema, e ter acesso aos estudos em detalhes, fica a sugestão dos seguintes livros:

                                                                                                                                                                          Alexandre Filho

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Nesta seção procurarei exibir alguns experimentos realizados por alguns pesquisadores, bem como situações comuns, que demonstram que o Ser Humano possui latente, em si mesmo, faculdades que o dotam de percepções extra-sensoriais, o que Joseph Blanks Rhine denominou de PES, ou seja, percepções da realidade por outros meios que os 5 sentidos usuais.

Dr. Paul Gibier, em Análise das Coisas, Capítulo IV, nos reporta duas de suas experiências, realizadas com pessoas diferentes:


"Recentemente, em New York, numa primeira sessão de hipnose, pude obter de um moço, cujas pálpebras estavam fechadas sobre os globos oculares fixos, por contração dos músculos motores dos olhos, para cima e para dentro, como sempre, pude obter que ele me dissesse a cor de dois objetos, duas folhas de papel colocadas na parte superior da sua cabeça. Uma dessas folhas era branca, a outra azul. O indivíduo estava de costas para a minha secretária, de cuja gaveta eu tirava esses objetos sem fazê-los passar por diante do seu rosto. Na segunda sessão, coloquei meu relógio igualmente sobre a parte superior da sua cabeça. Depois de alguns segundos de hesitação, disse-me ele a hora exata. Conhecendo a faculdade que têm os hipnotizados de possuir, em geral, a noção do tempo, eu tinha recuado o ponteiro de vinte minutos. Ao fim de alguns dias, esse moço lia do mesmo modo que a senhora, cuja observação já citei antes. Essas experiências começam a revelar-nos fatos mais importantes: provam, pelo menos, que a sensação é independente do sentido especial por meio do qual ela é normalmente transmitida: o nihil in intellectu quod non prius fuerit in sensu, de Zenon (de Citium) e de Aristóteles, já pode ser discutido sobre outras bases."

O segundo caso é o seguinte:

“O indivíduo (sujet) era uma moça de seus vinte anos, de origem judaica. Desde que adormeceu, e num estado intermediário de abmaterialização, que não era letargia, nem sonambulismo, nem ainda o êxtase falante, porém antes o que os magnetizadores de profissão denominam sonambulismo lúcido, coloquei um rolo de algodão sobre cada um de seus olhos, mais uma toalha espessa e larga ou um pano atado por detrás da nuca. À primeira vez que tentei a experiência de que vou falar, fiquei muito admirado do êxito; devo dizer que, então, eu ainda não tinha a experiência que me deram, posteriormente, séries de observações e, devo acrescentá-lo também, estudos sérios e contínuos sobre a questão. Tomei, à minha biblioteca, o primeiro livro que me caiu nas mãos, abri-o ao acaso, por sobre a cabeça da moça, sem olhar, com a capa voltada para cima, enquanto segurava o texto impresso a dois centímetros mais ou menos dos cabelos da hipnomagnetizada. Ordenei-lhe ler a primeira linha da página que estava à sua esquerda e, após um momento de demora, disse ela: “Ah! sim, estou vendo; esperai”. Depois continuou: “A identidade conduz ainda à unidade, porque se a alma...” Deteve-se e disse ainda: “Não posso mais, basta; isto me fatiga.” Acedi ao seu desejo, sem insistir; virei o livro, que era de filosofia, e a primeira linha, exceto duas palavras, tinha perfeitamente sido vista e lida pelo invisível abmaterializado da adormecida.

Fazendo traçar sobre o pavimento, por terceiro, uma palavra qualquer, com um pedaço de giz, conduzida de um aposento vizinho, com os olhos tapados, a mesma moça lia, sem jamais se enganar, a palavra escrita, contanto que tivesse os pés sobre ela; e acrescentava sempre alguma reflexão perfeitamente justa, por exemplo: “Como está mal escrito... está às avessas” e voltava-se; ou ainda: “Olhai! é o nome de fulano, com um risco por baixo!” Quando era conduzida – com os olhos tapados e chumaçados, como acima referi – por sobre a palavra escrita no chão, era andando de costas, e conservava a cabeça erguida em posição um pouco forçada, que permitia aos assistentes verificarem a impossibilidade em que estaria, mesmo acordada, de ver sob a venda.” Muitos outros fatos desse gênero poderia narrar, mas devemos saber limitar-nos à tarefa que nos impusemos. Quis somente demonstrar que o sensus internum podia, em momento e condições dadas, entrar diretamente em relação com o mundo exterior, sem se servir dos canais a que está sujeito em tempo de vida ordinária. Isto já nos não permitirá admitir a existência da inteligência independente da matéria que lhe serve às manifestações do estado comaterial?"

Esses casos de Clarividência nos remetem, imediatamente, aos casos de Experiências de Quase Morte(E.Q.M), onde pessoas que nasceram cegas passam por uma experiência na qual, fora do corpo, enxergam tudo, inclusive, seu próprio corpo desacordado.

Mostro, agora, dois casos similares estudados pelo Dr.Césare Lombroso, retirados da sua obra "Hipnotismo e Mediunidade". O primeiro é o seguinte:

Certa manhã daquele ano, fui chamado para a Srta. C. S., de 14 anos de idade, filha de um dos homens mais ativos e mais inteligentes da Itália, que tinha também mãe sã, inteligente e robusta, mas dois irmãos crescidos extraordinariamente na estatura, nas proximidades da puberdade, e com alguma turbação pulmonar; e a própria C. S., que era de gentil aspecto, altura de 1,54m, com pupila um pouco midriática, tato normal e normal sensibilidade dolorífica e às cores, quando na vizinhança da época púbere cresceu subitamente 15 centímetros, e teve, nos primeiros acenos menstruais, graves fenômenos histéricos no estômago (vômitos, dispepsia), e por isso, durante um mês, só pôde ingerir alimentos sólidos, e num outro mês alimentos líquidos, apresentando, no terceiro mês, acessos de convulsões histéricas, hiperestesia incrível, pois um fio posto sobre a mão lhe parecia ter o peso de uma barra de ferro. Em outro mês, manifestou cegueira e pontos histerogênicos no dedo mínimo e no reto, que, tocados, provocavam convulsões, bem como paralisia muscular no movimento das pernas, com reflexos exagerados, contraturas, energia muscular aumentada, sendo que o dinamômetro passava, pressionado pela mão, de 32 a 47 quilogramas. Começaram, então, a apresentar-se nela fenômenos extraordinários. De início, sonambulismo, durante o qual mostrava singular atividade nos labores domésticos, grande afetividade aos parentes, distinta disposição musical; mais tarde apresentou mutação no caráter, audácia viril e imoral; mas, o fato mais estranho era que, enquanto perdia a visão com os olhos, via, com o mesmo grau de acuidade (o 7º da escala de Jager), pela ponta do nariz e lóbulo esquerdo da orelha, lendo, assim, uma carta que então me viera dos Correios, enquanto que eu lhe vendara os olhos, e pôde distinguir os números de um dinamômetro. Curiosa era depois a nova mímica com que reagia nos estímulos levados aos que chamaremos órgãos ópticos transitórios e transpostos. Avizinhando, por exemplo, um dedo à orelha ou ao nariz, ou fazendo menção de os tocar, ou ainda melhor, fazendo com uma lente incidir um raio de luz de lâmpada, mesmo à distância e por fração de minuto, ressentia-se vivamente e irritava-se.
– Quereis cegar-me? – gritava.

Depois, com instintiva mímica inteiramente nova, tão nova quanto o fenômeno, movia o antebraço a defender o lóbulo da orelha e a extremidade do nariz, e assim permanecia por alguns minutos. Também o olfato estava transposto: o amoníaco e a assafética não lhe provocavam a menor reação, quando colocados sob o nariz, enquanto que uma substância ligeiramente odorífera, sob o queixo, dava lugar a viva impressão, e a mímica toda especial. Assim, se o aroma lhe era agradável, sorria, piscava os olhos e respirava com maior frequência; se o perfume desagradava, levava rapidamente a mão à dobra do queixo, tornado este a sede do olfato, e voltava com rapidez a cabeça para o lado. Mais tarde, o olfato se transferiu ao dorso do pé, e então, quando um odor a desagradava, movia a perna para a direita e esquerda, contorcendo também todo o corpo; quando agradava, permanecia imóvel, sorridente, respirando mais frequentemente. Vieram depois fenômenos de profetismo e de lucidez, pois previa com rigor, direi matemático, com 15 ou 16 dias de antecedência, o dia dos acessos, a hora em que sobreviriam e o metal apto a fazê-los cessar. Assim, a 15 de junho predisse que a 2 de julho teria delírio e em seguida 7 acessos catalépticos, que cessariam com ouro, e, para 25 desse mês, faringismo e dores nos membros; para 6 de julho, catalepsia à primeira gota de água que lhe fosse atirada, e calma até 12, no qual seria presa de acesso às 6 da manhã, com tendência a morder e a despedaçar, e que só se acalmaria mediante meia colherinha de quinina e três gotas de éter. E tudo aconteceu exatamente como houvera vaticinado. No dia 14, predisse que os quatro acessos do dia 15 seriam sa-nados com chumbo. Em verdade, porém, este ajudou pouco, sendo mais eficaz o ouro; mas, se houve engano nisto, este não se positivou na designação da hora, preanunciada exatamente, e no número de acessos. Mais tarde, profetizou aventuras que deviam atingir o pai e o irmão, as quais, dois anos depois, se verificaram; viu também, estando no leito, o irmão que nesse momento se encontrava em um teatro distante mais de um quilômetro da sua casa.

Césare ainda nos conta outros casos:

Esses fenômenos de nenhum modo são isolados ou únicos. Já em 1808, Petetin estudou oito mulheres catalépticas, nas quais os sentidos externos eram translocados para a região epigástrica ou para os dedos das mãos ou dos pés. Em 1840, Carmagnola, no “Giornale dell’Accademia di Me-dicina”, narrava um caso inteiramente análogo ao nosso. Tratava-se de uma jovem, de 14 anos de idade, também de recente catamênio, sofrendo tosse convulsiva, cefaleia, delíquio, soluços quando bebia; espasmos, dispneia e convulsões mímicas, durante as quais cantava; modorra que se prolongava por três dias, e verdadeiros acessos de sonambulismo, em cujo decurso via distintamente pela mão e com esta separava fitas e cores, e lia às escuras. Querendo mirar-se ao espelho, ante o qual colocava as mãos, via apenas estas; abaixava-o para ver o rosto e, não o conseguindo, enraivecia-se e fugia, sapateando no pavimento, gesto, o primeiro, espontâneo, instintivo, que reproduz aquele da nossa C. S., escondendo o lóbulo da orelha irritado pelo imprevisto raio de luz, e que bastava por si mesmo para excluir a simulação. Note-se ainda que, tal qual no caso de Petetin (e não se dirá mais que se trata de coisas descobertas agora), a aplicação do ouro e da prata acalmava as raivas e a retornava alegre, pelo que, durante os acessos, buscava avidamente esses metais. Certa vez tocou em bronze, supondo-o ouro, mas, embora completa fosse a sua ilusão, não obteve alívio algum. A seda e as peliças lhe tiravam as forças. Pouco a pouco melhorou, mas reincidia a cada período lunar mensal. Despine refere o caso de uma Stella, de Neuchâtel, de 11 anos de idade, que, parética, depois de um traumatismo no dorso e aliviada com o uso dos banhos de Aix, após práticas magnéticas apresentava a transposição da faculdade auditiva para várias partes do corpo, mão, cotovelo, espádua e, durante a crise letárgica, para o epigástrio, juntando a isto facilidade para exercícios natatórios e de equitação, bem como, sob aplicações de ouro, força extraordinária. Frank (Praxeos Médicae, Turim, 1821) menciona um certo Baerkmann, no qual a audição era transferida, ora para o epigástrio, ora para o osso frontal, e ainda ao occipital. O Dr. Angonoa estudava, em Carmagnola, em 1840, uma G. L, de 14 anos de idade, tornada dispéptica e amenorreica após um desgosto. Presa de sonambulismo, mais ou menos à meia-noite, identificava moedas aproximando-as da nuca e distinguia aromas com o dorso da mão; mais tarde, em fins de abril, vista e ouvido emigraram para a região epigástrica, de modo que, olhos vendados, lia um livro posto a poucos passos de distância do seu corpo. O mesmo esculápio observou certa Piovano, de 22 anos de idade, com catalepsias histéricas e acessos epilépticos, a qual, no sonambulismo artificial, enxergava ora pela nuca, ora pelo epigástrio, e cheirava com os pés, pretendendo ainda distinguir, no próprio corpo, trinta e três vermes, que, ao fim de algum tempo, expeliu. Embora de tal não se estabelecesse analogia, o fato se ligava ao que era conhecido: sonâmbulos comuns que vêem perfeitamente quando com os olhos estáticos e insensíveis, com as pálpebras fechadas ou com o globo ocular voltado para o alto, à semelhança de quem dorme. Evidentemente, eles enxergam por qualquer outra parte do corpo, que não pelos olhos.

Dra. Elisabeth Klüber-Ross, no livro "A Roda da Vida", nos conta um caso de Clarividência que ocorreu com ela própria, pela primeira vez na vida, o que indica, aí, uma faculdade em estado latente que naquele momento se desenvolveu:

Eu estava me preparando para desistir[das pesquisas] e, afinal, numa sexta-feira, decidi que aquele seria o último seminário sobre a morte e o morrer de minha carreira. Sempre fui dada a extremos. Quando terminamos, aproximei-me do pastor N. pensando na melhor maneira de dizer a ele que não iria mais fazer os seminários. Estávamos diante da porta do elevador analisando o seminário que acabara pouco antes e discutindo outros assuntos diferentes. Quando ele apertou o botão para chamar o elevador, resolvi que tinha de aproveitar a ocasião para falar antes que ele entrasse e as portas se fechassem. Foi tarde demais. As portas do elevador se abriram.
Mal comecei a falar, uma mulher apareceu de repente atrás do pastor e diante do elevador aberto. Meu queixo caiu. A mulher flutuava no ar, quase transparente, e sorria para mim como se nos conhecêssemos.
- Meu Deus, o que é isso? - perguntei, com voz esquisita.
O pastor N. não tinha noção do que estava se passando. Pelo modo como me olhou, pensava que eu estava perdendo o juízo.
- Acho que conheço essa mulher - eu disse. - Ela está olhando para mim.
- O quê? - perguntou ele, olhando e não vendo nada.
- Ela está esperando que o senhor entre no elevador para poder sair - respondi.
O pastor N., que provavelmente já estava planejando como escapar daquela situação, pulou para dentro do elevador como se fosse uma rede de segurança. Quando ele se foi, a mulher, a aparição, aquela visão, aproximou-se de mim.
- Doutora Ross, eu tinha de voltar - disse. - Importa-se se formos para seu consultório? Só preciso de alguns minutos.

A distância dali até meu consultório era pequena. Mas foi o percurso mais estranho e arrepiante que jamais fiz. Será que eu estava tendo um surto psicótico? Estava realmente um pouco estressada, mas não a ponto de ver fantasmas. Especialmente fantasmas que paravam diante da porta de meu consultório, abriam a porta e deixavam-me entrar primeiro como se eu fosse a visitante. Assim que ela fechou a porta, porém, a reconheci.
- Senhora Schwartz!
O que eu estava dizendo? A senhora Schwartz morrera dez meses antes. E fora enterrada. No entanto, lá estava ela em meu consultório, de pé a meu lado. Sua aparência era a mesma de sempre, agradável mas preocupada. Eu, decididamente, não me sentia da mesma maneira, portanto, sentei-me antes que desmaiasse.
- Doutora Ross, tive de voltar por duas razões - disse, claramente. - Primeiro, para agradecer tudo o que a senhora e o reverendo Gaines fizeram por mim.
Toquei com a ponta dos dedos minha caneta, meus papéis e minha xícara de café para ter certeza de que eram reais. Eram tão reais quanto o som da voz dela.
- A segunda razão por que voltei, entretanto, foi para dizer-lhe que não desista de seu trabalho sobre a morte e o morrer... ainda não. A senhora Schwartz veio para o lado de minha escrivaninha e lançou-me um sorriso radiante. Tive um momento para pensar. Aquilo estava realmente acontecendo? Como ela sabia que eu estava planejando parar? - Está me ouvindo? Seu trabalho apenas começou - disse. - Vamos ajudá-la. Embora fosse difícil até para mim acreditar no que estava acontecendo, não pude deixar de dizer: - Sim, estou ouvindo. Subitamente, percebi que a senhora Schwartz já sabia o que eu estava pensando e tudo o que ia dizer. Decidi ter uma prova de que ela estava mesmo ali dando-lhe uma caneta e uma folha de papel e pedindo-lhe para redigir um bilhete para o reverendo Gaines. Ela rabiscou um rápido agradecimento. - Agora está satisfeita? - perguntou Para ser franca, eu não sabia bem o que estava sentindo. Um instante depois, a senhora Schwartz desapareceu. Procurei-a por toda parte, não encontrei, voltei correndo para meu consultório e examinei o bilhete dela, apalpando a folha de papel, analisando a caligrafia e assim por diante. Então me contive. Por que duvidar? Por que continuar questionando?

Nesse artigo, apresentei alguns casos que comprovam que o Ser Humano possui, latente em si mesmo, esperando desenvolvimento, maneiras diferentes das usuais para perceber a realidade. Fora do corpo, o Espírito possui todos os seus canais de percepção da realidade aumentados, os órgãos do corpo físico apenas conseguem demonstrar uma pequena porção dessa realidade que nos cerca. Imaginemos, com isso, o quanto o Universo é desconhecido para nós. Como nos atrevemos a criar Sistemas que visam explicar a realidade sem ao menos saber desses fenômenos ? Sem ao menos estudá-los ? Até bem pouco tempo, pensávamos que a Terra era o centro do Universo, quando chegou alguém desmentindo essa afirmação o Mundo "quase caiu", porém, hoje, isso é algo trivial, o resultado da observação. Época chegará em que duvidar da existencia dessas faculdades será o incomum.

Para saber mais, consulte as seguintes obras:

                                                                                                                                                                          Alexandre Filho